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#04 Crônica: Dá e passa


Navio de Borboletas, Salvador Dalí.

Eu quero comer o Mundo em pequenos pedaços recheados com glacê, eu quero arrancar o fiapo de pele da unha da Vida, tenho fortes anseios de um dia desses bater com o mindinho do Destino na quina de qualquer calçada doTempo. Se me der a louca eu passo um trote no Universo, aperto sua campainha e saio correndo.


Eu quero ver o furdúncio acontecer, quero tocar fogo no Cosmos, e dançar um tambor na porta da casa do Carma. E se, por acaso, eu seja envolto no silêncio fantasmagórico do Futuro, eu mando um carro de pamonha para incomodar o Passado, levanto as saias da senhora Justiça e fumo um baseado fortíssimo com a mal falada da Vingança.


Quero ser enxovalhado de perseguições, correr de paus e pedras até o fim do caminho, levantar os dois dedos do meio e pular do precipício direto para a minha cama, onde tudo é calmo, tudo é desse jeito de jeito maneira, de qualquer jeito de gente que sente que não tem mais jeito nenhum. De gente que sente o que dá, e depois passa.


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