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#07 Crônica: As pessoas (no rasinho)


Mona Lisa, de Leonardo da Vinci

Pessoas amam pessoas. Pessoas são indiferentes a pessoas. Pessoas odeiam pessoas. Acho que esse é um bom começo. Vamos começar por aí. Descobri recentemente algo inédito: as pessoas não gostam da sinceridade, muito embora a enalteçam em posts do Facebook e legendas de foto no Instagram, ou em algum site de indiretas de 2013. A parte disso, pessoas têm medo de pessoas. Ou algo parecido com isso. Quando uma pessoa é verdadeiramente sincera sobre quem ela é, a outra pessoa não gosta de vê-la. Agora imagine só! Acho que no fundo vivemos todos em caixas, de diferentes tamanhos, se espreguiçando ou se espremendo em diferentes conceitos. Quando você acha algo sobre uma pessoa você a coloca numa caixa grande, mas quando você descobre que essa pessoa não é nada do que você idealizou sobre ela, você coloca essa pessoa numa caixa menor, e a medida que você descobre mais e mais sobre essa pessoa vai deixando de sobrar espaço na caixa para ela, vai encolhendo. Não sei bem onde quero chegar com isso. A sinceridade é algo que assusta, que ofende. Pessoas autênticas ofendem. Pessoas autênticas na pura significação da palavra, que fique claro. Faz aquilo! Não faço. Diz desse jeito! Não digo. Reaja dessa forma! Expressões sempre deixam considerações abaladas. No fundo, no fundo ninguém se arrisca a ir lá. No rasinho tá bom. No rasinho das pessoas é um ótimo estado. Você nem molha a barra da calça, nem corre risco de se afogar: afunda os dois pés onde as ondas acabam, fecha os olhos sob a gratidão da luz do sol, e abre os braços até que se esgotem os 30 segundos do tempo de uma nova foto ser tirada.


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